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Febre de Origem Indeterminada

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A Febre de Origem Indeterminada foi definida por Petersdorf & Beeson em 1961 com seguintes critérios:

1. Febre maior que 38,3 graus Celsius;

2. Duração de pelo menos 3 semanas (outros autores consideram 2 semanas);

3. Diagnóstico incerto após uma semana de investigação adequada no hospital.

A investigação deve conter:

- história clínica detalhada incluindo exposição a animais, uso de fármacos, viagens, ocupação, exposição, etc.

- exame físico

- hemograma com plaquetas

- hemoculturas

- exames laboratoriais sanguíneos de rotina

- sorologia para hepatites

- EQU e urocultura

- Rx Tórax

Se algum sinal ou sintoma se mostrar alterado, o mesmo deve ser investigado com imagem e/ou biópsia.

Etiologia: existem 3 categorias que causam febre de origem indeterminada

1. Infecções

2. Neoplasias

3. Doenças do tecido conjuntivo

Em um estudo holandês de 2003 a 2005, em que os autores excluíram os pacientes imunocomprometidos, as causas mais frequentes de febre de origem indeterminada foram:

# 22% doenças inflamatórias não infecciosas (vasculites, lupus, polimialgia reumática)

# 16% causas infecciosas

# 7% neoplasias

# 4% miscelánea

# 51% não diagnosticado

A febre de origem indeterminada geralmente é causada por um agente comum com uma apresentação atípica. O hospedeiro também é um fator importante. Pessoas convivendo com HIV/Aids, outros imunossupressos, idade são fatores que mudam as causas de febre de origem indeterminada e devem ser avaliados individualmente. 

A curva térmica, tremores e calafrios, o nível da febre e resposta a antipiréticos NÃO fornecem informação suficiente para especificar as possíveis origens da mesma, ou seja, o padrão da febre não indica a etiologia (exceto -talvez- na malária). 

Outros exames possíveis de serem realizados para auxílio diagnóstico são:

- tomografia e/ou RNM de tórax e abdômen

- medicina nuclear com leucócitos marcados (gálio-67 e indium-111)

- Ecodoppler de membros inferiores

- BMO

- Ecocardiograma

- Sorologias devem ser guiadas conforme a história epidemiológica do paciente

 E os 51% dos pacientes que não tiveram o diagnóstico definido apesar da investigação?

Os estudos mostraram que a maioria evolui de forma benigna melhorando da febre semanas, meses ou até anos após o início dos sintomas. Alguns tem o diagnóstico definido em outro momento ou em outra internação hospitalar.

Diagnósticos prevalentes em febre de origem indeterminada:

Doença reumática, abscesso abdominal, endocardite, sífilis, micobacteriose, linfoma, tumores sólidos, lupus eritematoso sistêmico, arterite de células gigantes e febre induzida por drogas.

 

Renato Cassol - Médico Infectologista

Porto Alegre - RS