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Leptospirose humana, principais sinais e sintomas.

Leptospirose (ou febre dos pântanos ou febre dos arrozais ou doença de Weil ou Síndrome de Weil ou Mal de Adolf Weil)

A leptospirose é uma doença bacteriana (causada por uma espiroqueta) que pode infectar humanos e animais. Existem diversos sorovares (mais de 200) e o mais importante no Brasil é o L. interrogans. A leptospirose está presente no mundo todo. 

A doença pode causar diversos sintomas quando infecta humanos desde mais brandos até casos graves, levando a dano renal, meningite, falência hepática e pulmonar e até a morte. O período de incubação pode ser de até 30 dias, média de 14 dias. 

A transmissão da leptospirose ocorre através da urina contaminada de animais e a bactéria pode ficar viável no solo por semanas a meses. Ao contrário do que muitos pensam, diversos animais selvagens e domésticos podem transmitir a leptospirose e não apenas os roedores. O gado, porcos, cavalos, cachorros e roedores são exemplos de animais que podem transmitir a bactéria através da urina contaminada quando portadores. Importante salientar que esses animais podem ter a doença e não terem os sintomas. A saliva não transmite a doença. A bactéria pode entrar no organismos através de mucosas e mesmo pele íntegra. 

Nos humanos a leptospirose pode causar febre, cefaléia, dores musculares, vômitos, icterícia, sufusão conjuntival, dor abdominal, diarréia, rash cutâneo, falência de órgãos como rins, fígado e pulmão. A forma ictéria é a mais grave (sindrome de weil - icterícia, insuficiência renal e hemorragias) e pode resultar em óbito.

A convalescença pode durar meses e nesse período o paciente pode manter-se sintomático, principalmente com mialgias e astenia. No Brasil a doença é de notificação compulsória e os exames diagnósticos fornecidos pelo Lacen, pertencentes a rede nacional de laboratórios públicos. A média anual da doença no Brasil é de 3500 casos/ano com letalidade de aproximadamente 10%.

O tratamento é com antimicrobianos como penicilinas ou doxiciclina em qualquer momento da doença, apesar dos maiores benefícios estarem quando administrados precocemente. A profilaxia também é possível para aqueles que entrarão em risco de contato com a doença (Takafuji et al. N Eng J Med 1984; 310: 497-500) e é feita com doxiciclina 200mg uma vez por semana.

  

 

Renato Cassol - Médico Infectologista

Porto Alegre - RS